|
cronicas da vani Todo mundo vive dizendo que o que é melhor sempre vem de fora. Outros dizem o contrário, mas na hora de escolherem preferem um carro importado, perfume francês, viagem para o exterior, charuto cubano, tecnologia chinesa, falsificação paraguaia, filme Hollywoodiano... Falando em filme Hollywoodiano, dia desses fui assistir “Chamas da Vingança” (Man on Fire, EUA, México, 2004), que conta a história de um ex-fuzileiro naval que é contratado como guarda-costas de uma garotinha na Cidade do México. Lá pelas tantas, é claro que a menina é seqüestrada e o guarda-costas jura vingança contra aqueles que a levaram. O filme é protagonizado por Denzel Washington e Dakota Fanning. No papel dos seqüestradores, eis que estão dois atores brasileiros: Gero Camilo e Charles Paraventi. Gero Camilo atuou em filmes como “Carandiru”, “Abril Despedaçado”, “Bicho de Sete Cabeças” (pelo qual recebeu dois prêmios de melhor ator coadjuvante) e “Cidade de Deus”. Charles Paraventi, além de ser conhecido como “o professor doido do seriado Malhação”, atuou em “A dona da História”, “Domésticas” e “Cidades de Deus”, por exemplo. A interpretação dos dois atores no filme de Fernando Meirelles fez com que o diretor Tony Scott convidasse a dupla para a interpretação dos vilões latinos. Alguém que não viu o filme ou não leu nenhuma crítica (raríssimas, por sinal) sabia dessa participação nacional no cinema americano? Aposto que não. Pode até ser que o diretor desvalorizou os atores ao oferecê-los personagens da máfia latina de seqüestros, mas a desvalorização maior foi da imprensa nacional. Como é que não fizeram uma reportagem com os dois no “Fantástico” e em revistas como “Contigo”, “Chiques e Famosos”, etc? Será porque os dois não fazem o tipo “gato-sarado-que-basta-tirar-a-camisa-no-filme-para-conseguire-toda-a-publicidade-do-mundo”? Outro fato estranho sobre a não-divulgação da participação dos atores é o fato de darem o maior ibope pra uns e outros que fazem uma “ponta” no filme e nem abrem a boca enquanto que Charles Paraventi, por exemplo, teve um diálogo de cinco minutos com Denzel Washington (sim, o ganhador do Oscar e não três atrizes bonitas vestindo roupas de couro). Fico pensando se um olhar sexy no filme realmente não vale mais que mil palavras... Os brasileiros e a imprensa em geral têm que entender que todo mundo daqui que consegue se dar bem lá fora merece mérito; seja por grandes ou pequenas participações em filmes, shows, desfiles de moda, etc...Não se pode supervalorizar alguém só porque é bonitinho, ou porque é modelo e resolveu virar ator/atriz logo em Hollywood. O que conta realmente é o talento. E foi por isso que Tony Scott escolheu os dois atores, que Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar, que Charles Paraventi vai participar do filme “Snake King” ao lado de Stephen Baldwin (pelo menos se ninguém divulgar isso eu já fiz a minha parte) que Rodrigo Santoro não ficou só nas “Panteras Detonando” e já têm outros filmes americanos no currículo, e outros atores brasileiros cuja participação em filmes americanos só é conhecida por nós quando estamos nas salas de cinema. Não me cabe aqui criticar “Chamas da Vingança”. Não entendo nada de cinema, sou só mais uma que freqüenta as salas em busca de uma boa história. Detalhes de produção, edição, fotografia, direção, etc ficam a cargo de críticos profissionais. Mas como espectadora brasileira posso criticar a falta de divulgação da participação dos atores brasileiros e a superdivulgação de notícias que nem fizeram por onde. E é isso que dá margem pra todo mundo falar que ninguém valoriza o que é daqui, em detrimento das coisas de outros países. Se nem os brasileiros dão ibope pro que é daqui, quem dará?Escrito por Vânia Medeiros às 10h45 [ ] [ envie esta mensagem ] |
||
![]() | ||