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cronicas da vani



Foie gras – a saga

 

            Ainda não me acostumei com a retirada do Vioxx® do mercado. Era um antiinflamatório ótimo, resolvia tudo, deixava os outros lá atrás em termos de potência. Mas como nem tudo tem um lado bom, descobriram recentemente que o “queridinho” dos antiinflamatórios deveria ter sido retirado do mercado há quatro anos, já que existiam provas suficientes de que ele aumentava o risco de infarto do miorcárdio (segundo a revista médica “The Lancet”).

            É assim que funciona: a gente conhece um produto/coisa/pessoa/etc, começa a gostar, elogiar e acaba tornando-o parte do nosso cotidiano, quando um belo dia alguém descobre alguma coisa muito ruim e pronto! O que era bom agora é abominável, é lei proibindo isso e aquilo e nós acabamos nos sentido enganado por quem nos vendeu uma bela (e falsa) imagem.

            Depois do ocorrido com o remédio, agora é a vez do foie gras (fígado gordo de pato ou ganso). A iguaria foi notada primeiramente pelos egípcios, há 4.500 anos,
sendo citada por Horácio, no séc I d.C, que contava sobre um fabuloso banquete em mesas romanas. Daí passou pelas as províncias conquistadas pelos romanos, seguindo pela Idade Média, séculos XVII e XVIII e sendo apresentado para o mundo como típica iguaria francesa no século XIX.

            A preparação do foie gras consiste no seguinte: as aves, após criarem penas, alimentam-se livremente durante dois meses. Em seguida ocorre o polêmico processo de alimentação progressiva e forçada (já descrita pelos egípcios, que utilizavam o figo como alimento, sendo esse método aprimorado pelos romanos e franceses, que criaram o delicioso patê de foie) por duas semanas, para que o fígado das aves torne-se de 6 a 10 vezes maior que o tamanho original. Em conseqüência disso, o foie gras traz 85% de suas calorias em forma de lipídios, não sendo, portanto, um alimento saudável (mas que é uma delícia, isso é!).

            Por causa de toda essa “peculiaridade” em seu preparo, o Sir e ex-beatle Paul Macartney escreveu uma carta ao governador da Califórnia (e ator nas horas vagas), Arnold Schwarzenegger, fazendo um apelo para que o estado fosse o primeiro a banir o patê de foie gras.A carta também fora assinada por astros como Kim Basinger, Martin Sheen e Chrissie Hynde.

A lei, que proíbe a venda de produtos derivados da alimentação forçada de animais foi aprovada há dois meses pela Assembléia legislativa do Estado da Califórnia e só entrará em vigor depois de 2012 para dar um prazo aos produtores para alterarem sua prática.

Logo logo essa lei se estenderá por todo o globo e o foie gras passará a ser uma iguaria proibida/banida/vetada/out, apenas fazendo parte da história, afinal, vários povos aprimoraram o seu preparo ao longo dos séculos, tornando-o um dos ingredientes mais polêmicos da alta-gastronomia. O melhor disso tudo é que fomos avisados com antecedência que o foie gras não mais estará presente em nossas mesas e temos oito anos (que não deixa de ser um bom tempo) para saboreá-lo bastante e sem pressa, em saladas, sobre torradas, baguettes, pães de frutas secas...

   



Escrito por Vânia Medeiros às 07h59
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