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cronicas da vani



O dono da bola

  

Egoísmo, sentimento de posse e teimosia jamais deveriam andar juntos. Se cada um sozinho já faz um estrago danado, imagina os três dentro da mesma pessoa. Fica difícil de lidar, argumentar, convencer, conviver.

Isso me lembra a história do dono da bola. Todo mundo já teve um amigo ou conheceu alguém assim: no meio do jogo de futebol, se o cara fizer falta, ou se machucar, ou qualquer outra besteirinha normal que acontece durante o jogo, ele pega a bola e vai embora, interrompendo o jogo na melhor parte. “Eu sou o dono da bola! Ou as coisas funcionam do meu jeito ou não tem mais jogo nenhum”.

Muita gente, para evitar confusão e também para usufruir a bola, acaba cedendo a esses ataques de infantilidade e assim a pessoa fica acostumada a ter tudo o que quer, do jeito que quer, e quem não concordar que se dane. E quando conhecemos um adulto assim, é porque com certeza ele era o dono da bola quando pequeno.

Há quatro anos venho notando o comportamento de uma figura ilustre por meio de jornais, televisão e internet. O sujeito é o típico dono da bola, o exemplo mais vivo que se poderia ter. O que se esperava de uma pessoa assim no futuro seria uma vida solitária, sem amigos, etc, etc. Mas que nada! Ele conseguiu chegar à presidência da maior potência do mundo! Não demorou muito para começar a colocar “as manguinhas de fora”: começou sutilmente, mas depois de um ataque terrorista em 2001 ele realmente mostrou quem era.

Com o pretexto de acabar com o terrorismo, começou a invadir outros países com seus potentes exércitos, sem se importar com as graves conseqüências que esse ato geraria. Não há como saber a quantidade exata de civis que morreram por causa de um capricho, uma vingança que claramente não resolverá o problema. Mas quem disse que ele se importa? “Eu sou o presidente, faço o que é melhor para o meu país. Vou acabar com o terrorismo de uma vez por todas. E quem não estiver comigo, está contra mim1”. É ou não é o dono da bola na presidência?

Mas isso não é o pior de tudo. O sujeito conseguiu convencer a população do seu país que partir para o ataque é sempre a melhor defesa, que é preciso dominar certos países para que a paz mundial seja alcançada, que podem lutar contra tudo e todos, porque têm as melhores armas, o melhor exército e o melhor presidente. E assim ele foi reeleito, para a felicidade nacional e infelicidade mundial.

A última que ele aprontou foi a invasão de Fallujah (50 km a oeste de Bagdá), que já provocou a morte de mais de 1.200 rebeldes contra 40 soldados americanos. Tudo isso faz parte de uma estratégia para manter o Iraque sob tutela dos EUA. Idéia de quem? Não preciso nem dizer.

No meio de toda essa confusão, a cantora Madonna resolve ir à imprensa pedir a saída das tropas dos EUA do Iraque, argumentando que “o terrorismo está em toda parte e é um absurdo acreditar que você pode se livrar dele indo a um país e despejando toneladas de bombas sobre pessoas inocentes". Com certeza alguém já falou algo parecido ao presidente. Mas um pedido desses vindo de alguém como Madonna (bonita, rica, popstar e loira), quem sabe não faça com que ele repense melhor e deixe cada país ser seu próprio dono...

Escrito por Vânia Medeiros às 10h52
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