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cronicas da vani



            Não sei o que está acontecendo em Hollywood: nunca vi tanto filme envolvendo psiquiatria como nos últimos meses. A lista é grande, mas o destaque vai para “Os esquecidos” e “Sob o domínio do mal”.

            “Os Esquecidos” (The Forgotten, EUA, 2004) conta a história de Telly Paretta (Julianne Moore) uma mulher em desespero por causa da morte do filho de oito anos. Telly se surpreende ao ouvir de seu psiquiatra que o filho não passa de uma invenção de sua cabeça e que só agora estaria voltando à realidade. Ao conhecer o pai de uma criança que teria morrido no mesmo acidente que seu filho, ela embarca numa dura missão para provar a existência do filho e a sua sanidade mental.

            “Sob o Domínio do Mal” (The Manchurian Candidate, EUA, 2004) é o remake do filme de mesmo nome de 1962, que foi estrelado por Frank Sinatra. Denzel Washington é um major do Exército que sofre pesadelos sobre a emboscada sofrida por seu pelotão no Kwait e o fato de a Medalha de Honra ter sido dada a seu sargento, Raymond Shaw (Liev Schreiber, no papel que originalmente foi de Laurence Harvey). Logo percebe que ele e seu pelotão - Raymond incluído - foram vítimas de uma lavagem cerebral.

            O que os dois filmes têm em comum, além do fato de acharem que os protagonistas são completamente malucos, é que as supostas “maluquices” são a mais pura verdade. Quem é que acreditaria em alguém dizendo que as pessoas estão sendo abduzidas por ET´s, ou que alguns cientistas estão implantando chips e fazendo lavagem cerebral nas pessoas por motivos políticos? De vez em quando alguém aparece falando isso nos consultórios de psiquiatria e são tratados como esquizofrênicos.

            Vou confessar: fiquei meio decepcionada com “Os Esquecidos”. A idéia do filme é boa, mas essa parte de envolver ET`s tornou o filme até engraçado, o que não deveria acontecer em filmes de suspense. O primeiro ato do filme é ótimo, dá aquela sensação de “opa, esse deve ser um filmão”. Mas logo a sensação é substituída por uma de “não é possível, isso só pode ser uma brincadeira do diretor pra nos surpreender no final”. O pior é que não é brincadeira, e saímos do filme com uma sensação de “não acredito que perdi meu tempo vendo um filme desses...”.

            Já em “Sob o domínio do mal” as sensações durante o filme mudam um pouco. Primeiro vem aquela de achar que é um filme de guerra, depois a história começa a ficar interessante (A Meryl Streep dá um show, por sinal) e lá pelas tantas...” não é possível, isso só poder se uma brincadeira do diretor...”. O que eu mais escutei durante o filme foram murmúrios de “esse diretor viajou muito!” e “isso é maluquice”, e na saída “você entendeu o final do filme? Nem eu!”. Mas apesar de tudo, vale a pena conferir.

            Agora quanto à temática de darem crédito às “loucuras” de esquizofrênicos, acho que foi uma idéia original no início, mas agora já está ficando banalizada. No primeiro filme que vemos é lógico que há uma surpresa no fato de ser tudo a mais pura verdade. Já a partir do segundo, o mistério já fica previsível (“o protagonista deve estar falando a verdade. Vi um filme parecido semana passada”) e o filme acaba perdendo um pouco a graça. O jeito é voltar aos tempos que loucura era realmente loucura e deixar que os expectadores sejam surpreendidos novamente. Isso que é a essência do suspense: o mistério.

Escrito por Vânia Medeiros às 07h15
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