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cronicas da vani Belém é uma festa “É bom ser o que se quer parecer” (autor desconhecido) Depois que eu li a Veja Belém cheguei à conclusão que a minha cidade é muito mais desenvolvida em termos de lazer do que eu imaginava. E mais: ao ler a revista temos a impressão de que a cidade é cheia de ótimos restaurantes, bares, danceterias (termos da época da minha avó, eu sei) e lanchonetes. Realmente dá pra enganar o leitor. Não que Belém seja um total fracasso nessa área, mas chega a ser um quase fracasso. O atendimento, em 99% dos lugares, é péssimo, com gente mal-treinada, de má vontade e muito pouco prestativa. E o que os donos fazem pra melhorar essa situação? Nada, é claro. Todo mundo reclama dos lugares, mas ninguém deixa de freqüentá-los por falta de opção. Fiquei chocada com as descrições de alguns lugares que eu freqüento aqui em Belém. Por exemplo, o Mormaço: “As características únicas da casa começam pelo acesso. No caminho de piçarra e palafitas, as embarcações abandonadas ajudam a compor o cenário underground. Lá dentro o cliente encontra um amplo ambiente de madeira, coberto com palha, construído sobre o rio Guamá”. Essa descrição chega a ser patética. Se eu tivesse que fazer uma descrição do mormaço, seria assim: Para chegar ao Mormaço as pessoas passam por palafitas cheias de pessoas mal-encaradas olhando para a sua bolsa (ah, não leve bolsa, celular, nem nada de valor) de um lado, e do outro tem um rio imundo e fedido, cheio de lixo e barcos velhos. O local não passa de uma barraca de Salinas em plena Belém, feito de madeira corroída por cupins. O atendimento, se é que existe, é péssimo, e servem cerveja em copo descartável. Mesmo assim, todos os mauricinhos e patricinhas estão lá às sextas-feiras e acham o máximo. Agora o Café com Arte, meu local favorito. Na Veja: “Funciona em um interessante casarão antigo, com dois ambientes (...). Para comer, crepes.”. Minha descrição: Nada mais é do que uma casa antiga que é utilizada como bar. A sala transformou-se em pista de dança, no quarto tem um mini-palco e a galera assiste espremida aos shows, o porão também virou pista de dança (mas quase ninguém fica lá porque tem medo do teto desabar, já que as pessoas estão pulando lá em cima). Lá atrás tem um quintal, que pelo seu aspecto, foi apelidado pelos freqüentadores de cemitério. A casa ao lado foi implodida, e, portanto, o muro lateral do café, que era o mesmo da casa, foi substituído por escombros, dando ao local o aspecto do filme “O resgate do Soldado Ryan” O legal do Café com Arte são as festas quinzenais organizadas pela Dançum Se Rasgum Produciones, freqüentadas pelas pessoas mais esquisitas da cidade. Ah, e nunca vi ninguém comendo crepe por lá. Enfim, poderia descrever novamente cada lugar que o pessoal da Veja pintou como sendo uma obra-prima. O bom da Veja Belém é o que eu disse no início: parece que estamos em uma cidade cheia de opções, de ótimos lugares, comidas, enfim, parece até que estamos em Paris. E se Paris é uma festa, Belém também é,afinal, mesmo com um atendimento e serviço péssimos, o povo se diverte. Escrito por Vânia Medeiros às 10h17 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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