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cronicas da vani Desgraça pouca é bobagem “Não se chateie se a programação da TV lhe parece chata: amanhã será pior” (Autor desconhecido) Nunca mais tive tempo de assistir aos jornais na televisão. De manhã eu nunca assisto porque não suporto barulho quando acordo (manias, todos têm as suas), e quando chego em casa , à noite, o jornal já acabou. Chego tão cansada que durmo antes do último noticiário do dia. Por isso que a imprensa escrita é minha favorita: está sempre ali, disponível, a hora que eu quiser e puder. Como a minha faculdade está em greve há duas semanas, tempo é o que não me falta. Então comecei a ocupar meu tempo livre malhando, lendo, arrumando minhas coisas e assistindo ao jornal do meio-dia. No primeiro dia que assisti fiquei pasma com a quantidade de desgraças que estão acontecendo no Pará (porque, no Jornal Nacional, pelo menos têm aquelas matérias sobre dança, comidas típicas, sei lá, para amenizar um pouco as más notícias do país e do mundo. Mas o jornal local nem isso tem). Achei que tivesse sido azar o meu, comecei a ver o jornal num dia não muito propenso a bons acontecimentos, mas que nada! Todos os dias aparecem 90% de notícias ruins e 10% de notícias mais ou menos boas. Fiquei tão revoltada com a situação do Pará que prometi a mim mesma que, no dia em que o conteúdo do jornal fosse 100% notícias ruins, escreveria uma crônica protestando. Já estava desistindo da idéia quando hoje, 21 de setembro, o jornal conseguiu a proeza e só dar notícias ruins, para não dizer péssimas: começou com a menina morta encontrada na lata de lixo, passando pela violência em Goianésia (o prefeito declarou estado de calamidade pública), enterro do motorista de táxi de Ananindeua e o protesto dos colegas contra a violência, as inúmeras paralisações na Almirante Barroso, a greve da UEPA que está sem previsão para acabar (ou seja, mais férias forçadas para mim), aumento de abuso sexual de crianças e adolescentes, água contaminada em um bairro de Ananindeua, enfim. Até a apresentadora tava com uma cara triste, depois de tanta desgraça. Será que Belém não tem mais coisa boa pra contar? Com certeza tem, mas o tempo do jornal é tão curto que não cabe tanta notícia. Eu ficaria muito feliz de ver uma matéria maior sobre a Feira do Livro e os escritores que estão em Belém autografando suas obras, ou de saber mais sobre a suspensão das cotas na UFPA (para mim é uma ótima notícia, pois sou contra sim. Resolvi assumir isso porque faltava uma polêmica nessa crônica), notícias do círio, ou até dos 90 anos que a minha avó completa hoje. Qualquer notícia boa é bem-vinda. Quase no fim do jornal, quando eu já estava terminando essa crônica e pensando no último parágrafo, a apresentadora diz: “E hoje é o Dia da Árvore!”. Por um milésimo de segundo eu fiquei feliz. Lembraram do Dia da Árvore no meio desse caos que está a cidade. Mas, em seguida, descobri o motivo da lembrança. A apresentadora continuou a frase: “E o desmatamento cresce na cidade a cada ano, sendo responsável pelo aumento da temperatura local”. É, desgraça pouca é bobagem mesmo... Escrito por Vânia Medeiros às 21h33 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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