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cronicas da vani



Ó Pátria Amada! (Parte II)

 

 

Finalmente chegou o grande dia! Toda a cidade mobilizada, pessoas indo desde a hora do almoço esperar os portões do Mangueirão abrirem só para garantir um bom lugar na arquibancada, enfim. Eu já estava pronta desde as cinco da tarde, mas só saí mesmo de casa quase sete horas. A van que eu fui estava superanimada, todo mundo com seu kit-sobrevivência (água, refrigerante, biscoitinhos, etc...) e com a camisa do Brasil, é claro.

Chegamos ao Mangueirão pouco tempo depois, não enfrentamos fila para entrar, nem tumulto, nem nada. Foi supertranquilo mesmo. Quando entrei no estádio e vi aquela multidão vestida de verde-amarelo gritando pelo Brasil, meus olhos brilharam como os de uma criança que vai ao estádio pela primeira vez. Nossa, como era lindo o Mangueirão! E lotado, ainda por cima. Fiquei em um lugar privilegiado, do lado da tribuna de honra, pertinho do campo, daria para ver tudo direitinho.

            Tinha de tudo para vender: bebidas, churrasquinho, pipoca, churros, amendoim, laranjinha, até binóculos! É claro que eu garanti o meu para poder ver de perto o rosto do ronaldinho, né?! E as torcidas do Papão e do Leão? Toda hora era gente gritando “Leão! Leão!” e o pessoal do Paysandu respondia com ‘Terceira divisão! Terceira divisão!”. Naquele momento os dois times rivais estavam unidos para torcer pelo país, mas, mesmo assim, uma provocação de vez em quando vai bem, não é?!

            Quando a seleção entrou em campo para o aquecimento a torcida delirou. Estavam todos os ídolos: Ronaldinho gaúcho, Ronaldo, Kaká, Roberto Carlos, Adriano, Cafu, Roque Júnior... Com o auxílio do meu binóculo eu puder ver perfeitamente cada um deles, e toda vez que eu via um, gritava “Olha o Ronaldinho! Olha o Adriano!”. Meu irmão já não me agüentava mais, e o jogo nem tinha começado.

            Um dos momentos mais emocionantes foi quando a Fafá de Belém cantou o Hino Nacional. Ver os jogadores ali na minha frente e toda a torcida de pé cantando o hino foi realmente inesquecível. O Hino do Brasil é um dos mais bonitos (senão o melhor) que eu já ouvi. Além da letra, que louva o nosso país, a melodia é tão imponente e alegre que o conjunto emociona mesmo.

            O jogo começou e eu percebi como é diferente na televisão. Ao vivo o campo não parece tão grande e a tensão é muito maior. Quando algum jogador da Venezuela tocava na bola as vaias eram ensurdecedoras, o que contrastava com as palmas que um jogador brasileiro (principalmente o Kaká, não sei por quê) recebia ao driblar o adversário. Lá pelas tantas o Adriano fez um gol.  O estádio quase explodiu de tanta alegria. Confesso que senti falta do Galvão Bueno gritando “Goooooooooooooool!” e do replay também.

            Durante o jogo, se algum jogador do Brasil era derrubado no meio do campo, alguém já gritava “Pênalti!”.  E quando a torcida começava a chamar pelo Robgol, artilheiro do Papão? Se algum jogador do Brasil perdia uma chance de gol, sempre tinha um que dizia “O Robgol não teria perdido essa...”.

            No segundo tempo o Brasil fez mais dois gols: um do Roberto Carlos de falta e outro do Ronaldinho. Quem ficou feliz com o jogo do Ronaldinho foi a Nathália, a menina que teve a cadeira de rodas quebrada na véspera do jogo. O Ronaldinho havia prometido a ela que, se ele fizesse um gol, ela ganharia a camisa dele.

            Lá pelas tantas a torcida, que já pedia pelo Robinho faz tempo, teve seu desejo realizado. Não passou muito tempo para a gente ver a famosa “pedalada” do jogador. Bem que ele tentou fazer um gol, mas não foi dessa vez.

            No fim do jogo, 3x0 para o Brasil, a torcida saiu feliz da vida, satisfeita com o resultado, com o sonho de ver de perto a seleção brasileira realizado e o melhor, sem brigas e confusões. Eu adorei conhecer o Mangueirão, quero voltar lá para assistir a um jogo do Paysandu, fiquei feliz pela vitória do Brasil (senão todo mundo aqui em casa ia me chamar de pé-frio), achei que o binóculo foi a melhor aquisição do jogo (até o Zagalo eu vi), enfim, foi uma noite inesquecível.

            O time do Brasil é excelente, e o da Venezuela é péssimo. Eles podiam ter feito uma goleada maior, na minha opinião. Ah se o Robgol estivesse lá...



Escrito por Vânia Medeiros às 15h57
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Ó Pátria Amada! (Parte I)

  

            Desde que confirmaram o jogo entre Brasil e Venezuela no Mangueirão, o povo de Belém começou a se programar para o evento, afinal, é a primeira vez que a seleção brasileira participa de uma eliminatória da copa na cidade.

            Eu já havia dito que fazia questão de ir ao campo, principalmente porque seria uma oportunidade de conhecer o Mangueirão (é uma vergonha eu nunca ter ido lá, confesso) e também de ver se perto todos os craques da seleção.

            Quando a venda de ingressos começou, eu já fiquei tentada a desistir do jogo, já que as filas eram quilométricas e as pessoas chegavam desde a madrugada nos locais de venda para conseguir o ingresso. Nos primeiros três dias as cadeiras já haviam sido esgotadas, e não faltava muito para as arquibancadas. Toda Belém iria comparecer ao Mangueirão mesmo! Até uma camisa personalizada da torcida paraense foi confeccionada pela Nike para o evento.

            Uma semana antes do jogo meu pai conseguiu três cadeiras para assistirmos o jogo. Eu era a mais empolgada aqui em casa, principalmente depois que eu soube que iria ver o Ronaldinho (o fenômeno, não o Gaúcho), uma coisa que sempre foi impossível para mim. Ele é um ídolo tão conhecido mundialmente que é muito estranho imaginá-lo na mesma cidade que eu, e ainda por cima a poucos metros.

            Na véspera do jogo houve o treino da seleção no Mangueirão e o ingresso era 1Kg de alimento não-perecível. Com um ingresso simbólico desses, é evidente que esse treino iria acabar em confusão. Quem foi que pensou que esse ingresso iria deter o povo paraense, que é tão carente de eventos como esse e viu nesse treino uma oportunidade de ver a seleção de perto?

O ingresso para o jogo era caro, a grande maioria da população não teria condições de pagar. E quem comprou seu 1kg de alimento não aceitou o fato de o estádio estar superlotado e queriam entrar de qualquer maneira. Belém passou vergonha por falta de planejamento. Pessoas foram pisoteadas, muitos ficaram feridos, os portões do Mangueirão foram destruídos pelos chutes dos torcedores, até a cadeira de rodas de uma criança foi destruída no meio da confusão. Se na véspera já foi assim, como seria no dia do jogo?!



Escrito por Vânia Medeiros às 15h56
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