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cronicas da vani



Escrivaninha

 

 

Dia desses estava lendo uma crônica do Mario Prata sobre palavras que nós atribuímos significados totalmente diferentes dos reais e, um belo dia, descobrimos que foi tudo fruto da nossa imaginação. Por exemplo, ele achava que Nabucodonosor era Nabuco do Nosor, que Nosor era o país de origem do Nabuco.

            Todo mundo já passou (ou ainda passa) por uma situação dessas. Há uns dez anos, quando eu estudava no Moderno, tinha um menino na minha sala que achava que o país República Dominicana era “do Minicana”, como se fosse dominada por Minicana, um país que ele inventou.

            O meu primo (que eu não vou divulgar o nome, senão ele me mata) também passou por isso. Quando ele era criança alguém disse que ele era “só papo furado” e ele respondeu “Eu não! Você que é sapato furado!”. Essa confusão resultou no apelido “sapato furado”, utilizado por alguns tios até hoje.

            Quando eu era pequena, meu pai disse que iria comprar uma escrivaninha para o Danilo, meu irmão, e eu perguntei por que não era “escridanilo”, já que eu achava que escrivaninha tinha esse nome porque o meu apelido era Vaninha, e isso ia mudando de acordo com o nome do dono. Já pensou?! Escricarol, escripedro, escrijoão...

            Confundir letra de música é mais comum do que se imagina. Um amigo do meu pai, há pouco tempo, comentou com ele sobre o verso da música “O tempo não pára”, do Cazuza. “‘A toxina está cheia de ratos... ’. De onde será que o Cazuza tirou isso? Que verso, hein?!”. Foi quando meu pai disse a ele que a música era “A tua piscina está cheia de ratos...”.  E o cara admirado do verso, querendo saber como o Cazuza criou aquilo...

            Confusão que eu tive com letra de música, que eu lembre, foi só com “Oceano”, do Djavan. Naquele verso “Amar é o deserto e seu temores...” eu tinha certeza que era “A maré, o deserto e seus temores...”. O pior é que eu sempre achava que não tinha nada a ver maré com deserto, mas poesia é poesia, fazer o quê?!

            Quando estava comentando com o meu pai sobre essa confusão na música do Djavan, o meu irmão, que estava ouvindo, disse espantado: “‘Amar é?!’ Eu tinha certeza que era ‘Amarelo o deserto e seus temores...’”. Pelo menos amarelo e deserto fazem mais sentido.



Escrito por Vânia Medeiros às 00h02
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