|
cronicas da vani Músicas de fossa Todo mundo já ficou na fossa alguma vez. Calma, não estou falando de ficar naqueles buracos de esgoto. A fossa que eu me refiro é aquele estado de tristeza profunda provocada por motivos amorosos que deixa as pessoas desanimadas, chateadas, achando que a vida é ruim, que nada de bom acontece, etc, etc. Esse estado pode durar desde poucas horas até meses e anos, dependendo do grau de amor de cada um (e de drama também). E quem é que não gosta de ouvir uma musica “deprê” nesses momentos, daquelas que a gente se identifica com a letra? Fossa sem música “deprê”, é meia-fossa. Meses atrás eu tive vontade de gravar um cd só com músicas “deprês”. Assim, quando estivesse na fossa, não teria trabalho de ficar procurando as músicas, trocando de cd... Queria colocar o cd, deixar tocar todinho e ficar viajando nas letras e nas melodias. O problema era quantidade de músicas, muito maior do que o espaço do cd. Então resolvi escolher as músicas universalmente “deprês”, ou seja, músicas que quase todo mundo já escutou nessas horas. Vento no Litoral (Legião Urbana): É a campeã das campeãs, sem dúvida. É quase impossível ouvir e não chorar. E aquele verso: “dos nossos planos é que tenho mais saudade/ quando olhávamos juntos na mesma direção...”. Dá vontade de chorar rios, né? Essa música tem vários versos bons, dependendo do motivo da fossa. Por exemplo, esse verso que eu citei acima serve para términos de namoro. Mas aquele trecho “Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou...” pode servir para o caso de pessoa certa na hora errada. Tirando aquela parte dos cavalos-marinhos, quase toda a letra serve para curtir uma fossa. Oceano (Djavan): Acho que é mais ouvida pela melodia do que pela letra. Mas aquela parte “Só sei viver se for por você” é muito boa, se o Djavan não tivesse separado as palavras em sílabas. Corta todo clima ouvir “Só sei vi-ver se for por vo–cê”. Sozinho (Caetano Veloso): Essa música ficou mania nacional na época que tocava em uma novela, mas agora anda meio esquecida. Na verdade a música é do Peninha, mas a voz melosa do Caetano acrescenta um drama. Outra do Peninha muito legal é “Sonhos”. Aquela parte “Mas não tem revolta não, eu só quero que você se enconte...” e mais o refrão inteiro serve de consolo para quem foi abandonado. E nessas horas, qualquer consolo, por mais ridículo que possa ser, ajuda bastante. Adriana Calcanhotto: Não coloquei uma música em especial porque são várias. As minhas preferidas são: Mentiras, Metade e Cantada. Agora que ela virou cantora infantil, não sei o que será do futuro das músicas “deprês”. Velha Infância (Tribalistas): Até hoje não posso ouvir essa música. Olhos nos Olhos (Chico Buarque): Essa é excelente! A letra é perfeita, é como um tapa da cara de quem nos deixou. Muita gente, mas muita gente mesmo, já se identificou com essa letra. Outra muito boa do Chico é “Todo Sentimento”. É minha favorita. Isso foi só uma amostra das músicas que eu, e muita gente, ouvimos nos momentos de fossa. Há quem ouça pagode também, não há estilo musical que fale mais de amor não correspondido atualmente. Mas ouvir pagode nos momentos de fossa já é demais. Até no fundo do poço devemos manter a classe. Escrito por Vânia Medeiros às 11h05 [ ] [ envie esta mensagem ] |
||
![]() | ||