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cronicas da vani



A chave mestra (Parte II)

 

Depois de provocar um barulho ensurdecedor na tentativa de acordar alguém, L finalmente conseguiu: acordou todos os vizinhos, menos o marido e a amiga. Era gente achando que estavam assaltando o prédio, outros achavam que era briga de casal, outros achavam que L estava louca, enfim. Todos foram ver o que estava acontecendo. 

Quando L percebeu o tumulto que tinha provocado, decidiu que iria dormir na casa da mãe. Porém, quando estava no elevador, pensou: “E se o meu marido estiver morto lá dentro?”. Resolveu voltar e continuar batendo na porta. Até que algum vizinho teve a idéia de chamar um chaveiro para salvar L.

- Dona L, essa sua porta é impossível de arrombar – disse o chaveiro.

- Como assim ‘impossível’?

            Aí o chaveiro começou a explicar detalhes técnicos que não convém citar aqui, mas disse que poderia desmontar a fechadura.

            Minutos depois...

            - Dona L, essa sua fechadura é impossível de ser desmontada

            - Seu chaveiro de ##$@%$, é o seguinte: meu marido deve estar agonizando aí dentro, minha amiga deve estar morta e eu preciso entrar nesse apartamento de qualquer jeito! Se o senhor não tomar alguma providência eu...

            - Calma, calma, dona L! Vou tentar destrancar a porta.

            - Mas o senhor não tem uma chave mestra?

- Dona L, chave mestra é coisa de hotel!

            Meia hora depois, o chaveiro conseguiu desfazer uma volta da chave na porta, e descobriu que a amiga tinha dado duas voltas na chave. Ou seja, mais meia hora para conseguir desfazer a outra volta. E L ficava resmungando:

            - Eu tenho uma porta da CIA e não sabia! Ninguém consegue arrombar, ninguém consegue destrancar...e o meu marido? E se ele estiver morto? Ai meu Deus...

            Mais meia hora depois (já eram 8:30 da manhã), L e todos os vizinhos (que haviam desistido de dormir) estavam esperando que o chaveiro abrisse a porta. Até que ele conseguiu, recebeu até aplausos da platéia. L entrou em casa correndo, entrou no quarto e viu o marido dormindo. Quando viu que ele estava respirando, disse, aliviada:

            - Ele está vivo, graças a Deus!

            Então todos os vizinhos voltaram para suas casas e L foi atrás da amiga para dar uma bronca nela.

            - Fulana, como é que você tranca a porta de casa?! Não tens o que fazer não? Sua &$#@!!!

            - Mas L, como é que eu ia entrar e deixar a porta aberta?! Além do mais, deixei a chave embaixo do tapete para você...

            Melhor não comentar o que L disse após essa frase. A última notícia de L foi que ela foi vista procurando “uma fechadura que desmonte” e uma porta “que dê para arrombar. De preferência uma daquelas de vai-e-vem”.



Escrito por Vânia Medeiros às 19h43
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A chave mestra (Parte I)

 

Quem é que nunca ficou trancado do lado de fora de casa? Isso é mais normal do que parece. Mas com o advento da chave embaixo do tapete, diminuiu bastante o número de pessoas que dormem no hall (ou no pátio, sei lá). O problema é que, em se tratando de pessoas como L, tudo pode acontecer.

Antes de começar a história, é importante ressaltar uma coisa: L nunca tranca a porta de sua casa. O pior de tudo é que q porta abre pelo lado de fora, ou seja, qualquer terrorista pode entrar no apartamento dela. Alguns dizem que ela acha que mora no Canadá (que é superseguro, etc etc), outros dizem que ela é maluca, mas ela alega que “Já pensou se tiver um incêndio, um explosão, um tsunami dentro de casa e todo mundo morrer porque não conseguiu abrir a porta? Melhor deixar aberta”.

Dia desses, uma amiga de L pediu para dormir na casa dela por um motivo qualquer. Até aí, tudo bem. Na mesma noite ela iria para um aniversário e o marido ficaria em casa porque estava doente. Disse que iria tomar um analgésico e iria dormir. L foi tranqüila para o aniversário, nem imaginando que sua noite seria um pesadelo...

Lá pelas 5 da manhã, L chega em casa morrendo de sono, tenta abrir a porta do apartamento e... “Meu Deus! Alguém trancou a porta!”. O marido também não trancava a porta, então só poderia ter sido a amiga desavisada. E agora, o que fazer? L tocou a campainha pelo menos 28746 vezes, até queimá-la, e nada de alguém acordar. Resolveu ligar para o telefone da casa, celular do marido e da amiga. Ligou até a bateria do seu celular acabar e ninguém atendeu. Foi então que resolveu bater na porta freneticamente (isso inclui socos, chutes e tentativas de arrombamento). 

Antes de continuar a história, alguém deve estar se perguntando: “Mas por que ela não abriu com sua própria chave?”. Simplesmente porque L não anda com a chave de casa. Por que ela teria chave se a porta sempre fica aberta? É por esse mesmo motivo que não há chave embaixo do tapete da casa dela. Ou seja, o jeito era tentar acordar o marido e a amiga. 



Escrito por Vânia Medeiros às 19h43
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