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cronicas da vani



Salada mista

 

            Quase nunca eu tenho inspiração para escrever. Hoje tive várias. Não sei se falo sobre a minha expectativa para conhecer o Rio, sobre como o meu dinheiro acaba rápido na 25 de março em São Paulo, ou sobre comidas que me deixaram traumatizada. Como eu sou ariana e não consigo abrir mão de nada, escolho falar sobre os três na mesma crônica.

            Nunca tive muita vontade de conhecer o Rio, porque sempre preferia ir à São Paulo. Agora, com esse concurso da Unesco, terei que ir ao Rio de qualquer maneira. Fico pensando se eu vou achar a cidade linda, se o Cristo é tão grande quando eu imagino, se vou conseguir visitar todos os lugares que eu gostaria em apenas 5 dias e, principalmente, se eu vou ver a água azul do mar. Sempre quis ver água azul (eu sei que a água não é azul, mas fica mais bonito dizer assim). Deve ser a coisa mais linda. Minha máquina que o diga.

            São Paulo pode não ter água azul, mas tem outras mil qualidades para atrair e falir todos os turistas. Uma delas é a 25 de março. Não é porque é o dia do meu aniversário, mas todo mundo merece passar um dia na 25. Ah, se o dinheiro for pouco, é melhor nem ir, porque ver todas aquelas coisas e não poder levar nada é tortura. Da última vez que eu fui à São Paulo, visitei a 25 de março só 4 vezes. Em menos de 1h todas as minhas economias tinham acabado. Mas em compensação, comprei a saia da moda, o sutiã da moda, a pulseira da moda, o relógio da moda...

            Adoro gastar meu dinheiro fazendo compras e em restaurantes. Gosto de experimentar lugares novos, novos pratos, etc etc. Na verdade não é bem assim. Tem restaurante que eu vou há anos e peço sempre o mesmo prato, com medo de arriscar. E alguns restaurantes eu não piso mais porque fiquei traumatizada com a comida. O meu trauma não tem nada a ver com gosto ruim, bichos na comida, ou coisa assim. Eu simplesmente enjoei de comer aquele prato.

            Por exemplo, yakissoba. Não consigo mais nem sentir o cheiro. Passei um mês almoçando yakissoba todo dia, e agora preciso desintoxicar. Outra coisa que eu não agüento é esfiha do Habib´s, local que eu passei seis meses almoçando todos os fins de semana. Como isso faz algum tempo, agora eu consigo comer lá de dois em dois meses. Mas chocolate, até hoje eu não consigo comer. Só se for um pedaço menor que 3cm. Trauma de infância, nós caçávamos ovinhos de páscoa e eu comia todos sozinha. No ano que eu fui a campeã (1993), achei 93 ovinhos e comi todos. Acho que tenho saldo de chocolate até 2010. É por esse motivo que eu sou a única pessoa do mundo que, na páscoa, ganha livro de presente.



Escrito por Vânia Medeiros às 10h00
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