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cronicas da vani



A educação no presente e no futuro do Brasil

 

            Norte: ponto cardeal para onde a bússola aponta. É exatamente o que está faltando para quem planeja e coordena a educação no Brasil: um norte, um rumo, uma orientação de por onde começar.

            A educação no Brasil atravessa diversos percalços em todas as esferas: seja no ensino básico, superior, ensino para adultos, índios, idosos, portadores de necessidades especiais... Mas por onde começar? Em quem se deve insistir pensando no futuro? São perguntas que exigem respostas e providências imediatas para que o país deixe de estar “em desenvolvimento”, rótulo que carrega há tantos anos.

            Pensar que a educação está estacionada no mesmo lugar há anos é um grande equívoco. O Brasil não deu grandes passos, mas suas pequenas pegadas já deixaram marcas que brilharão no futuro. No norte do país, por exemplo, o índice de oferta de educação indígena cresceu 17,5% nos últimos dois anos, o índice de professores da rede pública com curso superior cresceu 12%. No Pará, que possui 143 municípios, apenas 17 não possuem bibliotecas, o que corresponde ao melhor índice do norte-nordeste. Pelo menos já se prevê um futuro melhor do que o nosso presente.

            Idéias a curto prazo para resolver o problema da geração de hoje também são bem-vindas. O sistema de cotas, que foi criado pela Índia na década de 30, apesar de necessitar de alguns ajustes, pode funcionar muito bem no Brasil. É importante faze algo na origem de tudo, no ensino básico, paralelamente. Devem-se matizar os investimentos, para que o futuro seja de crescimento pleno e homogêneo.

            Uma iniciativa muito importante do Ministério da Educação foi o Projeto Presença, que consiste no cadastro de todos os alunos do ensino público. Cada aluno receberá uma carteirinha com seu registro, e assim será armazenado em seu banco de dados itens como desempenho escolar em cada matéria, assiduidade, etc... Dessa forma, será possível criar melhores estratégias para o coletivo a partir da observação individual. Identificar onde é a origem do problema: se é na matemática (onde o Brasil encontra-se em último lugar no ranking mundial), se é no desinteresse (que foi o principal motivo apontado pelos professores do Brasil na última pesquisa do Saeb), ou se é em tudo e mais nos professores.

            De acordo com o livro “O Professor refém”, 67% dos professores brasileiros têm curso superior e 125 não completaram o ensino fundamental. Isso mostra que o professor tem preparo, mas, muitas vezes, não tem infra-estrutura, nem outros instrumentos que atraiam os alunos para o saber. Com a internet e tantas outras tentações de grande magnitude, como trazer o aluno de volta para o livro? Como conseguir sua atenção e interesse em escolas sem infra-estrutura?

            Traçar estratégias é fácil, colocá-las em prática em um país tão diversificado em todos os aspectos é um grande desafio. E como toda longa jornada, o primeiro passo bem dado é fundamental. Pensar que o mundo daqui a 10,20 anos será mais digital do que hoje e não resolver o problema da inclusão digital desde já, reduzirá bastante o resultado esperado no futuro. O cidadão só começa a ter idéia do horizonte e dos vôos que poderá alçar se for dada a ele oportunidade, que junto com a prioridade, são as palavras-chave para melhorar a educação no Brasil.

            A educação só será uma prioridade no Brasil quando a prioridade do nosso país for crescer. E isso por acontecer hoje, no futuro, ou nunca. Só depende de quem está a frente disso. Valorizar o “hoje”, o “agora” é extremamente importante, porque o que hoje é presente, amanhã será passado. Passado a limpo, pela próxima geração.



Escrito por Vânia Medeiros às 19h22
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