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cronicas da vani



(turma do sítio: antes o Visconde do que o Rabicó!)



Escrito por Vânia Medeiros às 10h10
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“Chama”

 

Não sei se essa expressão é regional, mas aqui em Belém as pessoas falam muito que, quando atraem alguma coisa, têm um “chama”. Por exemplo, quem vive sendo assaltado “tem chama” para assalto. Todo mundo, se for prestar atenção, tem “chama” para alguma coisa. Eu já achei o meu: tenho “chama” para aquelas pessoas que ficam fantasiadas de bonecos.

Aniversário de criança sempre é um problema: toda vez tem alguém vestido de Mickey, Nemo, essas coisas. E sempre vem um desses atrás de mim. Não sei por quê. Eles fazem questão de falar comigo, quererem que eu participe das brincadeiras e tudo mais. Quando eu era mais nova, até que eu não me incomodava. Mas agora a situação anda insustentável.

Dente os milhares de episódios constrangedores que eu passei por conta desses bonecos, dois me marcaram profundamente: o da girafa da PUC e do Visconde de Sabugosa.

Lá no shopping tem uma loja infantil chamada PUC, cujo mascote é uma girafa. Um belo dia eu estava passeando por lá, quando avistei um homem vestido de girafa a alguns metros, fazendo propaganda da loja. Disse logo para a minha mãe: “Mãe, vamos passar longe dessa girafa, porque senão ela vem falar comigo”. Minha mãe não acreditou e continuou andando na mesma direção. Eis que acontece o esperado: a girafa começa a me seguir no meio do shopping, com todas as crianças atrás dela, e eu andando rápido e tentando disfarçar (o que não aconteceu, é claro). Quando percebi que não tinha escapatória, resolvi ceder: parei para falar com a girafa, tive até que dar um aperto de mão. As crianças morreram de ciúmes, eu percebi.

            Mas nada foi mais inesperado que o episódio do Visconde de Sabugosa. Esse eu poderia ter evitado, confesso, mas agora já aconteceu. Era domingo de manhã. Estava chegando na faculdade com uma amiga, e, do outro lado da rua, tinha uma excursão de escola (umas 20 crianças) e uma turma do sítio do pica-pau amarelo com eles. Quando eu vi, parei para olhar eles começaram a acenar. Eu respondi e continuei andando. De repente eu começo a escutar um “fiu-fiu”, mas ignorei. E a pessoa ficava insistindo. Depois disseram: “Ei, gatinha! Ei, gatinha!”. Minha amiga começou a dizer que a “gatinha” era eu.

            Quando olhei para trás, advinha quem estava fazendo o escândalo? O Visconde de Sabugosa! Ah, foi um choque para mim. Logo o Visconde, que tinha idade para ser meu pai. Na hora fiquei tão decepcionada, só sabia dizer: “Onde já se viu! O Visconde de sabugosa assanhado desse jeito!”.

            Hoje em dia, quando eu vejo algum boneco, já fico escondida. Já basta ter sido assediada pelo Visconde de Sabugosa...



Escrito por Vânia Medeiros às 10h09
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