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cronicas da vani





Escrito por Vânia Medeiros às 19h01
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Orquídea Solitária


“A vida é a arte do encontro”. Isso não é novidade para ninguém. Porém, a experiência de um verdadeiro encontro é um privilégio raro.
Encontrar alguém envolve certos nuances que convergem para um momento mágico. Começa com uma espera que parece não ter fim, com um olhar para os lados em busca de um motivo para se entregar, com um passar do tempo que insiste em não passar, com um vazio que entra e se instala sem pedir licença.
Quando o momento do encontro finalmente chega, abrem-se as portas do desconhecido. O equilíbrio que havia antes começa a desmoronar, um novo horizonte estende-se diante de nossos olhos e o medo de seguir em frente, de arriscar, faz com que os passos em direção ao que nos espera sejam cautelosos. É um pisar em folhas secas e quebradiças de outono, é ir sem saber se haverá o vir.
Viver um verdadeiro encontro é deixar a razão adormecida e despertar sentimentos que estão guardados no fundo do armário. É a entrega pura e intensa, é a verdade na essência de cada olhar, é a coragem de agir sem pensar se é certo, se é o melhor. Viver o encontro é notar que tudo ao redor tomou novas formas, novas cores, é deixar de ser uma orquídea solitária em meio a uma floresta e desabrochar.
Pena que os verdadeiros encontros sejam breves. É como sonhar e depois despertar. Quem lembra com detalhes de um sonho? A mania do ser humano de sempre querer respostas e provas disso e daquilo faz com que os momentos se percam dentro de cada um. Uma perda que aumenta se a busca aumentar. Uma perda que traz à tona o vazio e a dor, a dor da saudade.
Um dia o encontro acaba. Um dia, o último, sempre chega. Por isso é importante fazer valer a pena cada inspiração do ar doce e perfumado dos verdadeiros encontros. Por isso alguns deixam um elo, um pouco de si com o outro e têm um pouco do outro para si. A falta que o outro nunca fez começa a invadir o coração, que bate aflito e só pode se confortar nas recordações.
A arte do encontro é para poucos que possuem a sensibilidade de entendê-la e aproveitá-la. Muitos anseiam a vida toda por um encontro assim. Poucos têm momentos assim durante vida toda. Infinitas orquídeas solitárias buscam o desabrochar, aguardam o encontro, esperam pelo amor...


Escrito por Vânia Medeiros às 18h59
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