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cronicas da vani “Bom dia” pra quem? Se você é uma dessas pessoas que está sempre de bem com a vida, vive sorrindo, raramente se irrita com algo, perdoa os outros e sempre minimiza os problemas, não leia os próximos parágrafos. Esse não é o tipo de texto que você irá gostar. Não vou dizer que ninguém tem mais mau-humor que eu porque sempre existe alguém pior. Mas o meu mau-humor é tão grande que já estou ficando mau-humorada por causa dele. Cheguei à conclusão que o problema não é comigo. São os outros que insistem em me irritar. Quando chego no hospital antes das sete da manhã o porteiro insiste em me desejar “bom dia”. Já comecei o dia errado por dois motivos: primeiro, não se deve falar com ninguém antes das sete de manhã, é uma falta de educação tremenda. Eu ainda não acordei de verdade, tô no piloto automático. Segundo: esse negócio de “bom dia” é a coisa mais inútil que eu já ouvi, porque é só um modo de cumprimento (como “oi”, “olá”). A pessoa não está te desejando um bom dia de verdade. É só uma convenção. Pensem nisso. Tenho um problema sério com os meus problemas. É redundante, eu sei, mas é verdade. Tenho a incrível capacidade de transformar uma besteira no fim do mundo. Não seleciono os problemas que eu devo realmente ficar desesperada e os que eu resolvo facilmente. Não, tudo é motivo de desespero e irritação. Até tentei usar incenso para me acalmar, mas fiquei irritada com aquele cheiro de calmaria e agora toda vez que estou perto de um incenso começo a espirrar. E as “patadas”? Sou campeã. Nem penso se eu devo falar ou não, quando eu vejo, já falei. Às vezes é sem intenção de ofender, mas na maioria das vezes é para ofender mesmo. Até que estou melhorando nesse aspecto, afinal, quem fala o que quer... Outra coisa que estou tentando melhorar é minha cara de insatisfação com alguma coisa ou com alguém. Quando eu não estou satisfeita, não adianta. Minha expressão me denuncia. Eu posso jurar que está tudo bem, etc, mas não convenço ninguém. Piora bastante quando alguém me pergunta “você está com raiva de alguma coisa?”. Dá vontade de matar. Queria mesmo aprender a perdoar. Rancor é uma coisa muito ruim, digo por experiência própria. Se alguém trai minha confiança, ou me decepciona, não adianta. Eu não irei esquecer, nem que passem 238746 anos. Nem na outra encarnação. Acho que é por isso que eu implico com algumas pessoas logo de cara. Vidas passadas, só pode ser. O bom de ter defeitos é reconhecê-los e tentar mudá-los. Assim quem sabe a gente garante uma vaga no céu. Se bem que isso está fora de cogitação no meu caso. Primeiro porque vou ficar superdeslocada no céu. Não vou conhecer ninguém; todos os meus amigos estarão bombando no inferno e eu lá, tocando harpa. Segundo que, convivendo com aquele bando de gente que vive sorrindo, perdoando, agradando os outros, vou acabar me irritando no primeiro dia. É, não posso ir para o céu. Melhor continuar com os meus defeitos... Escrito por Vânia Medeiros às 16h20 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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