BRASIL, Sudeste, Mulher

 

   

    Chalu-outeiro
  Blog da Helena
  Nova Pediatria


 

    01/06/2008 a 07/06/2008
  25/05/2008 a 31/05/2008
  18/05/2008 a 24/05/2008
  15/04/2007 a 21/04/2007
  11/03/2007 a 17/03/2007
  25/02/2007 a 03/03/2007
  17/12/2006 a 23/12/2006
  26/11/2006 a 02/12/2006
  01/10/2006 a 07/10/2006
  17/09/2006 a 23/09/2006
  10/09/2006 a 16/09/2006
  03/09/2006 a 09/09/2006
  13/08/2006 a 19/08/2006
  06/08/2006 a 12/08/2006
  23/07/2006 a 29/07/2006
  25/06/2006 a 01/07/2006
  11/06/2006 a 17/06/2006
  07/05/2006 a 13/05/2006
  30/04/2006 a 06/05/2006
  16/04/2006 a 22/04/2006
  09/04/2006 a 15/04/2006
  02/04/2006 a 08/04/2006
  12/03/2006 a 18/03/2006
  05/03/2006 a 11/03/2006
  12/02/2006 a 18/02/2006
  29/01/2006 a 04/02/2006
  11/12/2005 a 17/12/2005
  04/12/2005 a 10/12/2005
  20/11/2005 a 26/11/2005
  09/10/2005 a 15/10/2005
  25/09/2005 a 01/10/2005
  18/09/2005 a 24/09/2005
  21/08/2005 a 27/08/2005
  12/06/2005 a 18/06/2005
  05/06/2005 a 11/06/2005
  22/05/2005 a 28/05/2005
  15/05/2005 a 21/05/2005
  24/04/2005 a 30/04/2005
  06/03/2005 a 12/03/2005
  27/02/2005 a 05/03/2005
  26/12/2004 a 01/01/2005
  12/12/2004 a 18/12/2004
  14/11/2004 a 20/11/2004
  07/11/2004 a 13/11/2004
  31/10/2004 a 06/11/2004


 

   

   


 
 
cronicas da vani



“Você é de Belém? Jura?”

 

Não aguento preconceito. Acho o cúmulo da ignorância. Já presenciei inúmeras manifestações de preconceito e sempre me sinto mal, com raiva, sabe? Não consigo entender o porquê de discriminar alguém seja lá pelo que for. Não entendo mesmo.

Hoje eu fui vítima de preconceito, uma situação que eu jamais imaginaria que fosse passar. Foi em um hospital aqui de São Paulo. O chefe do plantão me discriminou porque eu era de Belém. Preconceitozinho mais idiota, né? Pois é, mas foi horrível.

Quando ele soube que eu era de Belém, ficou desdenhando: “Jura? Você é de Belém? Sério mesmo? Nem sabia que tinha faculdade de medicina lá...”. E depois disso ele disse que eu ficaria responsável por um paciente crônico, que, tipo, mora no hospital, que não acontece nada de novo com ele há uns 5 meses. Entenderam? O chefe deduziu que, porque eu era de Belém, não tinha capacidade de cuidar de um paciente mais complexo.

Além de ter debochado da minha cidade e de ter subestimado minha atuação como médica ele passou o resto do plantão falando comigo como se eu fosse uma estudante de direito que surgiu ali de repente. Como se eu não conhecesse nada de medicina. Como se eu fosse uma médica por acidente. Juro que não estou exagerando.

Normalmente eu sou uma pessoa esquentada. Em outras épocas eu teria feito um escândalo, discutido, armado um barraco mesmo. Mas a gente vai aprendendo com o passar do tempo quando e em que situação vale a pena perder as estribeiras. E, definitivamente, não era o caso.  Resolvi ignorar, fingir que aquilo não estava acontecendo. E funcionou, o plantão demorou, mas, quando acabou, senti um alívio muito grande e uma vontade de sumir dali.

Fiquei mal o resto do dia, chorei a tarde toda. Não porque o cara tinha me discriminado, “coitadinha de mim”, essas coisas. Mas porque eu nunca imaginei passar por uma situaçao dessas. Não é justo que eu, que faço tudo direitinho, não sou irresponsável nem nada, me esforço pra aprender, seja tratada como uma burra só porque eu venho do norte. Qual é o problema em ser paraense? O que eu não tenho que os outros têm? Sou do Pará e me orgulho disso, adoro meu estado, minha cidade e fico muito brava quando alguém faz esse tipo de comentário. Brava e triste.

Resolvi não reclamar do chefe. Essas coisas fazem parte do caráter e personalidade de cada um. Uma reclamação não vai mudar o pensamento dele, que é pequeno e vai continuar pequeno. E eu ainda iria me expôr assim, de graça. Não sei se eu fiz certo, mas não me arrependo de não ter feito uma reclamação formal.

Nunca irei esquecer do dia em que fui discriminada. Foi horrível, doeu muito, só vivendo pra saber. Sinto pena de pessoas como o meu chefe, que maltratam, excluem e debocham do próximo. Mas tenho esperança de que,  um dia, essas pessoas irão acordar desse pesadelo chamado preconceito.



Escrito por Vânia Medeiros às 22h22
[   ] [ envie esta mensagem ]





[ ver mensagens anteriores ]